Victor
- Resolveu dar o ar da sua graça? - O Giovanni estava me esperando no escritório e parecia preocupado. - Onde se meteu a tarde inteira?
- Não é da sua conta. - Ele levantou as sobrancelhas surpreso. Eu não podia correr o risco que ninguém soubesse sobre a Lara. E mesmo que o Giovanni fosse meu amigo, ele ainda era leal ao meu avô e qualquer desconfiança sobre a identidade da Lara precisava ficar assim, na desconfiança.
- Até parece que alguém te mordeu! - Ele me provocou.
- O que você quer? - Perguntei, me jogando na minha cadeira.
- Temos decisões a tomar. - O ar brincalhão dele sumiu. A expressão preocupada voltou ao seu rosto.
- Safras sendo queimadas de novo? - Tinha um sabotador nas minhas terras, e eu sempre chegava perto de pegá-lo, mas ainda não tinha tido sucesso.
- Pior. - Ele sentou de frente para mim e começou a contar. - Os homens estão apreensivos. Corre um boato, por toda a Corleone, que seremos atacados. - Eu senti a risada nascer na minha garganta. - Por enquanto são só boatos, mas você sabe como as coisas funcionam aqui. Logo, um dos seus inimigos, pode se sentir tentado a cumprir o boato.
- Que venham! - A adrenalina do poder, tomando os meus nervos, foi bem-vinda depois daquela tarde.
- Victor, deixe-me ser mais especifico. - Ele fez uma pausa. - Hoje, no clube, alguns homens ouviram sobre uma aliança para derrubar o domínio dos Romanos.
- Nomes? - Ele negou com a cabeça.
- Ninguém soube dizer quem discutia, apenas que foi dito. Parecia ser um estrangeiro. - Eu bufei.
- Toda temporada de colheita aparece um bastardo espalhando boatos, buscando enfraquecer o nosso poder. Nessa temporada não será diferente. - Eu expliquei para ele. O Giovanni era um homem leal e sanguinário, mas nunca foi um homem calmo. Ao menor sinal de perigo, ele queria revidar, e em partes eu era assim também. Quando o perigo era real.
- Houve uma emboscada. - Ele falou parecendo apreensivo. - Uma das cargas foi roubada.
- E você enrolou pra me dizer…? - Ele suspirou.
- Ainda não sei quem roubou. - E como se uma chave virasse dentro de mim, o ódio emanou e eu me coloquei de pé.
- É o seu trabalho saber!!! - Falei entredentes. O Giovanni se encolheu.
- Estou investigando. - Ele abaixou os olhos, envergonhado.
- OLHE PARA MIM! - E ali estava, o terror nos olhos dele. Exatamente o que eu queria. - Eu quero os responsáveis de joelhos no meu quintal, para que eu mesmo possa arrancar as cabeças deles.
- Considere feito! - Ele respondeu rápido, rápido demais, e isso intensificou a minha raiva.
- CONSIDERAREI FEITO QUANDO ESTIVER FEITO! - Ele se empertigou na cadeira, mas dessa vez, não baixou os olhos. - Saia daqui e só volte quando tiver os bastardos!
Ele ficou de pé.
- Chame o Vicente aqui. - Ele abriu a boca para me questionar, mas mudou de ideia, o que provavelmente salvou os dentes dele.
Estiquei os ombros e flexionei os dedos das mãos, quando ele saiu.
Eu ainda não era o Dom, mas eu que controlava os ataques às nossas operações, e uma falha desse tipo era inaceitável. Uma safra nossa era valiosíssima, cada lote gerava uma fortuna, principalmente se usássemos o transporte da safra para levar outras coisas.
Exatamente como agora.
Alguém levou não apenas as minhas uvas, mas as minhas drogas. E eu ia recuperá-las, nem que eu tivesse que varrer toda a Corleone.
- Senhor? - O Vicente chamou da porta e eu fiz sinal para ele entrar.
- Quero que leve o quadro que está no meu quarto para esse hotel. - Ele me olhou com surpresa nos olhos. - Alugue um quarto em meu nome e deixe um ano p**o. - Ele parecia confuso agora.
- Se me permite senhor, não acho que o hotel vá permitir.
- O hotel pertence a família do meu pai, diga que eu dei a ordem. Quero o melhor quarto deles. - Ele assentiu. - E se negarem, você sabe exatamente o que fazer.
- Sim, senhor!
- Depois volte aqui, com as informações do quarto, que irá enviar uma mensagem para mim. - O olhar questionador dos meus homens me deixava completamente fora de mim, mas por sorte, ele não verbalizou nenhum questionamento. Ele assentiu e saiu em silêncio, me deixando com os meus pensamentos.
Eu deveria odiá-la, com todas as minhas forças. Naquele mesmo dia eu odiei. O pouco valor que ela dava à própria vida era vergonhoso. Mas, o meu pensamento mudou depois que eu a vi desabar.
Eu nunca tinha acolhido ninguém, mas por sorte, a minha mãe sim, então repeti exatamente o que ela fez comigo quando o meu pai morreu.
Eu a abracei e disse que sentia muito, e por experiência própria eu soube que isso não ajudava em nada.
O impulso que tive mais cedo retornou de uma vez, eu queria vê-la. Precisava encontrá-la de novo, mais uma vez. Sentir a boca dela na minha de novo…
Uma batida na porta interrompeu os meus pensamentos, e quando a Valéria entrou eu me concentrei nela.
- Soube que precisa relaxar. - A voz dela reverbera sensu¢lidade, e isso normalmente me deixa louc¢. Só que dessa vez o efeito dela sobre mim demorou. Eu estava consumido por um tes㢠descontrolado, mas não era nela que eu queria despejar aquilo.
- Aqui, empina essa bund¢ pra mim! - Apontei pra mesa, e sem demora ela fez o que eu mandei. Fechei os olhos e empurrei o meu p¢u latejando dentro dela.
- Qual o seu nome? - Eu daria qualquer coisa para que, debruçada naquela mesa, com o meu p¢u enterrado fundo nela, estivesse aquela ruiva de olhos inteligentes.
- Valéria! - Ela respondeu, quebrando a minha fantasia e eu puxei o cabelo dela com toda a força, enfiando mais fundo nela, apenas para ouvi-la gritar de dor.
- ERRADO! - Ela choramingou, se movendo contra mim, rebolando e me apertando! - QUAL O SEU NOME?
- Lara… - Ela falou entre um gemid¢ e outro. - Me chame de Lara! - Eu jorrei, apertando os olhos e imaginando olhos muito azuis, sardas e cabelos vermelhos e uma boca carnuda em formato de coração.