A Bernazzari é uma empresa do ramo da construção civil, fruto da fusão da IsBernad, empresa fundada pelo meu bisavô paterno Isaque Bernardine, com a Lazzani'S, empresa fundada pelo bisavô materno do Rafael. Os dois eram concorrentes diretos, porém após uma crise económica, eles perceberam que lucrariam mais se tornando sócios, e assim foi feito.
O meu bisavô passou o comando para a minha avó e depois para o meu pai, enquanto o bisavô do Rafael passou para o avô, que por sua vez encerrou a parceria um pouco depois que a mãe do Rafael morreu, para que assim o Rodrigo não assumisse até que o Rafael completasse a maioridade.
Acontece que mesmo depois que Rafael completou a maioridade, ele não se interessou em assumir o comando da Lazzari'S, deixando em definitivo para o Rodrigo. Com isso, assim como os nossos bisavôs, os nossos pais viram que juntos lucrariam mais do que separados, então decidiram realizar esse contrato louco, e fingir para a oposição que os filhos se apaixonaram naturalmente.
_ Essa aqui é a Gabriella, a aniversariante e futura CEO da empresa. — o meu pai diz empolgado, enquanto me apresenta. — Gabriella, esses aqui é o meu sócio Marcos Rizzini, esse é o responsável pelo departamento jurídico Eduardo Rabello, e esse é o Guilherme Rizzini, filho do Marcos. Guilherme vai assumir a filial da IsBernad na Itália daqui um pouco mais de um mês.
_ Prazer em conhecê-los. Ainda iremos nos ver bastante não é?! — Eu rio tímida.
_ Confesso que trabalhar ao lado de uma CEO tão bela, teria sido um imenso prazer. Jorge, ainda dá tempo de desistir? — Guilherme ri
_ Pare de graça, Guilherme! A minha filha se casará com o filho do Rodrigo daqui dois meses. — O meu pai responde em tom de brincadeira, enquanto eu o encaro séria e Guilherme nos olha sem graça.
_ Está certíssimo, Jorge, essa mocinha parece ser pulso firme. — Eduardo diz, tentando dissipar o m*l clima que a brincadeira do meu pai causou. — E quanto a você, o seu pai merece descansar, e tenho certeza de que ele vai deixar uma ótima pessoa no lugar dele.
_ Eu ainda tenho alguns planos para realizar antes de assumir essa responsabilidade — Sorrio para ele, afinal, ele não tem culpa dos nossos problemas. — Mas conto com a ajuda de vocês para conseguir ser tão boa quanto ele.
_ Tenho certeza de que você será melhor que eu, filha. Irei me encarregar disso. — o meu pai diz e eu forço um sorriso, cansada daquele teatro do meu pai.
_ Assim espero, pai. Quero corresponder as suas expectativas. — Falo olhando para ele. — Se me derem licença, preciso comer alguma coisa. Mais uma vez, prazer em conhecê-los. — Eu falo e me despeço de todos, mas somente o Guilherme faz questão de ser caloroso, talvez em provocação ao meu pai.
_ O prazer foi todo o meu. Sinta-se convidada para visitar a Itália, bela dama. — Ele beija a minha mão.
Guilherme tem um charme e carisma que chama bastante atenção. Ele aparenta ter uns 25 anos, cabelos castanhos, num corte undercut degradê, olhos azuis, barba cerrada e um corpo bem chamativo, mesmo por baixo da roupa social que ele usa
Justamente quando ele beija a minha mão em cumprimento, sinto uma mão passar na minha cintura e percebo que Rafael está do meu lado, quase bufando... Em segundos um clima estranho se forma no ar, já que Rafael o encara com um olhar de poucos amigos, enquanto Guilherme o olha com ar de deboche e dá um gole na sua bebida.
_ Meu genro! — o meu pai força uma simpatia sem tamanho, e eu reviro os olhos — Chegou numa boa hora. Estava apresentando a Gabriella para alguns sócios da empresa. Esse é Rafael Lazzari, noivo da Gabi.
_ Prazer em conhecê-los. — Ele cumprimenta todos — Ella, posso te roubar um pouco?
_ Claro, amor. Com licença. — Me despeço
Rafael me encara, mas se mantém em silêncio, somente me puxando pela mão e me levando até o lado de fora da festa. Quando chegamos ao lado externo, ele se encosta no capo do carro e cruza os braços.
_ Você pode me explicar que cena foi essa? — Ele me pergunta sem tirar os olhos dos meus
_ Que cena? Não entendi.
_ Aquele cara beijando a sua mão, quase te comendo com os olhos e você rindo para ele, Gabriella!
_ Não acredito que você tá com ciúmes! Eles são sócios do meu pai, não estava fazendo nada de mais!
_ Nada de mais para você. Mas também, olha esse vestido, Gabriella!
_ O que tem o meu vestido, Rafael? Vai implicar até com o meu vestido?
_ Esse tipo de roupa não é para mulher casada, eles podem desconfiar.
_ Eles ainda pensam que estamos noivos, mas mesmo se ja soubessem do casamento, desde quando roupa define algo? Sinceramente, Rafael, seu ciume está patetico.
_ Que ciume? Está louca, garota? Só me preocupo de desconfiarem da gente.
_ Que seja! Posso aproveitar a minha festa ou vai continuar me enchendo a paciência?
Eu o encaro e como ele não esboça nenhuma reação, entro para festa e o deixo sozinho. Encontro a Bruna assim que entro, e ela, percebendo a minha cara feia, vem me acalmar. Logo um garçom passa servindo uma caipirinha, eu pego uma e viro de uma vez só, enquanto Bruna me encara com um olhar de reprovação.
_ Amiga, eu quero dançar!! — Eu falo puxando ela para a pista de dança.
Ter virado a caipirinha de uma vez não foi uma boa ideia, e logo assim que começamos a dançar me sinto tonta, mas ninguém percebe e a sensação logo passa. Rimos e nos divertimos, já que a essa hora da festa a pista já está cheia e animada
Dançamos bastante tempo, até que Bruna decide ir buscar mais uma bebida para nós duas, e eu fico dançando com algumas outras amigas da escola.
Sinto alguém me puxando para dançar e quando me viro, Guilherme está dançando comigo. Dançar não é traição, e Rafael precisa saber que as coisas não funcionam como ele pensa que é, então eu danço com o Guilherme.
_ Desculpa, não queria causar problemas com o seu noivo.- Guilherme cochicha no meu ouvido, ao perceber o meu olhar de insatisfação.
_ Tudo bem, eu já expliquei para ele que não foi nada de mais.
_ A aniversariante aceitaria tomar uma bebida comigo?
_ Aceito sim! Preciso descansar as pernas, e a minha acompanhante deve ter ficado com o namorado dela.
Saímos da pista de dança e os sentamos num sofá ao lado da pista de dança. Guilherme me pergunta o que quero beber e logo volta trazendo uma taça de champanhe, e um copo de whisky.
_ Aqui, senhorita Bernardine. Ao casamento! — Ele brinda animado, enquanto eu já cheguei num nível de stresse tão alto, que nem faço questão de disfarçar. — Que animação, hein!
_ É que estou ficando com sono. — Disfarço.
_ Uma menina tão nova...
_ Mas diga, Sr. Rizzini. Por que Itália? É uma mudança de vida e tanta.
_ Considero mais como uma vida nova do que mudança de vida. Precisava recomeçar e essa ida para a Itália me ajudou. — Ele diz enquanto encara o seu copo de whisky, e em seguida bebe todo o conteúdo de uma vez.
_ Imagino que realmente precisasse, visto que bebeu de uma vez só essa bebida tão amarga e nem fez cara feia. — Digo e ele gargalha ao ver a minha cara assustada.
_ Sr.a Bernardine, com o tempo percebemos que a vida é mais amarga que o whisky.. Mas me diga, por que se casar tão nova? Pergunto porque imagino que não esteja grávida — Diz olhando para a minha barriga e depois para a taça na minha mão— E acredito que não há tanto amor assim, ou você não estaria aqui enquanto ele nos encara do bar.
Guilherme diz me olhando tão fixamente, que me sinto intimidada e disfarço desviando o olhar e conferindo se Rafael realmente estava no bar.
_ Sr. Rizzini, duas pessoas podem se conhecer e se apaixonar rápido, ao ponto de querer casar assim. — Eu digo e dessa vez quem bebe o champanhe de uma vez só sou eu.
_ Não sei... Ainda penso haver algo errado nisso tudo, pois não vejo um olhar satisfeito em você...
_ Amiga, desculpa a demora. — Bruna aparece e nos interrompe, ainda bem. — O Rafael quer ir embora, me pediu para te avisar.
_ Claro! Nem percebi a hora. Sr. Rizzini, foi um prazer recebê-lo aqui hoje, espero que dê tudo certo para você lá na Itália.
_ Muito obrigado, mas o prazer foi todo bem, bela dama. Espero vê-la em breve — Ele apenas aperta a minha mão. — Pode deixar que dessa vez não vou beijar.
Nos despedimos e eu saio dali, indo em direção ao meu querido e forçado esposo. O encontro sentado na mesa com o Léo, que se retira assim que eu me sento. Rafael não fixa o olha em mim, mas somente pela mandíbula travada já imagino que ele não está nada satisfeito.
_ Desculpa, não quis te chatear.
_ Eu não estou chateado, Gabriella. Chateado eu estava no aperto de mãos, agora estou puto da vida! É serio que você ainda dançou com ele? Só precisamos fingir e você faz isso.
_ Não soube fingir tão bem hoje, e já pedi desculpas!
_Talvez se não tivesse ficado me provocando a noite toda com aquele arrumadinho, teria fingido melhor — Ele responde ríspido.
_ Eu não te provoquei, só não quis ser indelicada. Por Deus, Rafael! Deixe de ciúmes.
_ Eu não senti ciúmes de você, deixa de ser boba! Me preocupo em descobrirem sobre nós dois. — Rafael vira a bebida do copo. Será que isso virou moda? — Realmente acreditou que eu estava com ciúmes de você? Que fofinha! — Ele aperta a minha bochecha em deboche. — Eu vou embora, vê se cumpre a p***a do contrato e não me traia. Boa noite.
Rafael sai e me deixa ali, sentada sozinha. É incrível como um cara tão bonito pode ser um babaca bipolar. Vou para o banheiro e mais uma vez choro por ele, só saio de lá quando a minha mãe me liga perguntando onde eu estou. Me despeço dos convidados restantes e vou embora para casa, pois a noite para mim, terminou.