O DIA D

1203 Words
Eu sabia que o meu pai ia acabar com tudo, eu sabia que ele acharia uma forma de se vingar do Martín, da mãe dele e de todo mundo a minha volta. Quando eu entreguei para ele o endereço errado eu assumo ali um risco, assumi o risco de perder a minha família de uma vez por todas, mas eu iria bancar isso até o fim para nunca ter que pedir perdão, não sei de quem eu puxei esse meu lado megera inconsequente mas ele era insuportável de aturar. - Anaju está tudo pronto? eu vou passar aí para te pegar - Disse Martín, ele tinha tanta auto confiança que me fez acreditar também, eu não estava pensando direito, eu só queria ficar com ele em algum lugar, fazendo alguma coisa e aproveitando a imagem do seu rosto tão lindo me olhando todos os dias. - Sim, está tudo pronto Martín, eu só não sei se esse é o momento certo para isso... o meu pai vai acabar comigo, minha mãe vai ficar devastada se eu for embora! Eu briguei com minha família, mas eu ainda os amo! - eu falei tentando convence-lo a desistir da ideia de fugir comigo para algum canto r**m da cidade, torcendo para que ele pensasse sabiamente sobre o que aquilo significava para mim, perder tudo assim de uma hora para outra, perder o respeito dos meus pais e do meu irmão, dos meus tios e tias, como ficaria o meu avô? e meus tios? eu nunca mais os veria novamente? Me senti egoísta naquele momento. - Você não me ama? você não quer ficar comigo é isso que eu entendi? - desde o dia que eu o conheci e começamos a sair escondidos ele me coloca assim contra a parede. Eu me sentia sufocada mas não sabia como sair daquilo, não sabia como eu poderia me desprender de algo que me fazia tão m*l. Eu sentia amor, pelo menos eu achava que era, amor real profundo... falhas são normais, eu pensava... todo mundo tem defeitos, eu me consumia horas e horas no meu quarto de princesa pensando em como Martín iria me salvar da minha mesmice e da minha vida em minha roda de hamster, mas isso não significa que ele não bancava o babaca. - Martín, é claro que te amo... olha tudo o que eu fiz, você tem noção do que significou? o meu pai vai me matar de todo jeito, eu me arrisquei por você... por que você sempre faz isso? só estava colocando prós e contra! - Você estava dando um jeito de desistir, deixa, talvez o meu amor por você seja maior do que o seu amor por mim - ah meu Deus ia começar a tortura psicológica que durava dias até e eu não contava a ninguém. Um pequeno resumo para vocês. DESCULPA NÃO ATENDER, ESTAVA JANTANDO Você estava é com outro, bem se vê mesmo, eu amo sozinho nessa porra... você só sabe me esnobar! Me bloqueava, e eu como uma palhaça mandava uma sequência de áudios para ele na intenção de me desculpas pelo que eu nem havia feito. Como uma i****a, eu me comportava como uma dependente emocional, e sabe, só hoje depois de tudo eu enxergo que isso não é um amor genuíno, como o da minha mãe e do meu pai, e analisando bem, Martín nunca me olhou como meu pai olha a minha mãe... mas para mim... aquele era o auge do amor, e se ele tivesse me mandado beber veneno, eu na minha imaturidade teria aceitado! - Martín você está certo - eu disse com medo - eu estou descendo, você está na rua do lado? eu vou te encontro aí - concordei com ele. - Tá bom, vem logo, você não sabe se o seu pai está voltando! Tem tanta pelo menos não ser lenta como sempre! - ele me repreendeu. Eu não deixei nenhum bilhete, nada que desse alguma pista da minha fuga. Resolvi que ia ser melhor assim, peguei a minha mala e quando fechei a porta do meu quarto senti uma dor estranha na boca do estômago, me senti m*l por não poder me despedir dos meus pais. Eles pensariam que eu os odiava muito, muito mesmo ao ponto de fugir para viver com o meu namorado. Nenhum grito do meu pai, ou chateação com a minha mãe motivou isso, talvez na hora da raiva sim quando combinei tudo com Martín dezenas de vezes, feliz da vida de estar na casa dele transando e comendo... mas quando chegou no momento de bancar a minha decisão eu queria mesmo desistir, algo no castelo estava me avisando e eu não dei ouvidos, talvez alguns dos meus antepassados para advertindo sobre o que viria... mas eu não sei bola, não dei bola ao meu instinto Bernessi Grecco e saí mesmo assim. Meu pai levou todo mundo com ele, e foi fácil sair do portão... andei calmamente com medo de ser reconhecida até chegar ao carro de Martín. - E então, tudo certo? - ele perguntou arrancando com o carro bem rápido, ficou olhando em volta para ver se estávamos sendo seguidos, em nenhum momento me perguntou se eu estava bem, se estava doendo, ou se eu estava arrependida. E eu me sentei no banco do passageiro tentando imaginar como seria a minha vida. Boa ou r**m? Ele seria mesmo uma boa companhia? Eu conseguia superar o fato de que ele roncava como um porco toda vez que ele dormia? Bom, íamos nos casar, teríamos dois filhos e uma casinha modesta... não seriamos próximos a minha família de começo, mas com o tempo, meus pais aceitariam e finalmente eu voltaria ao seio da minha família. Para quem torceu ávidamente por isso, eu peço mil perdões! Martín me levou para longe, me levou para o Litoral, achou uma posada bacana e a mãe dele estava nos ajudando a sumir, pelo menos por um tempo, foi o que ele me prometeu. E eu engoli. Me assusta hoje, quando penso nas quantidades absurdas de merdas que eu engoli até chegar aqui. Passamos horas no carro em silêncio, e quando chegamos a maldita pousada eu só queria dormir, nada além de tomar um banho e descansar a minha cabeça... eu não liguei o meu celular, o meu pai conseguiria rastrear mas poderia imaginar a quantidade de mensagens que com certeza eu estava recebendo. A frieza que eu estava recebendo de Martín depois de todo aquele sacrifício era ainda pior, o frenesi que eu vivi naquele dia era digno de um filme, e mesmo assim, nada... ele não me beijou como costumava fazer, não colocou os meus cabelos atrás da orelha como fazia na escola nos momentos de conquista. Nem me perguntou se eu estava com fome... ele apenas ficou inerte a situação, quase como se eu fosse uma boneca ao seu lado. Me incomodou, mas eu, como uma boa menina, não disse nada... apenas aceitei achando que aquilo, era o que eu merecia. Eu estava forte, coloquei na minha cabeça que eu não deveria ficar arrumando pretextos para duvidar da minha decisão de ficar com o Martín para sempre, sem nem considerar que o pra sempre... sempre acaba.
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